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Fernando Haddad e a política do possível que deu resultado

Willyma de Jesus | 04/01/2026 | 18:51 | 4 min de leitura | 977 acessos

Não é comum na política brasileira reconhecer mérito enquanto o jogo ainda está em andamento. Preferimos esperar o erro, a queda ou o tropeço seguinte. Ainda assim, ao observar os números da economia, a valorização do real e o desempenho da Bolsa em 2025, considero honesto dizer que Fernando Haddad se gabarita hoje como um político forte. Não pela retórica. Pelo resultado.

Haddad assumiu o Ministério da Fazenda sob desconfiança generalizada. Parte do mercado o via como um acadêmico deslocado. Parte da política o tratava como um improviso ideológico. E a ala mais ruidosa das redes apostava no caos. O que se viu foi um ministro que entendeu rápido o tamanho da cadeira e a necessidade de dialogar com o mundo real, onde números falam mais alto do que slogans.

A política econômica conduzida por Haddad foi marcada menos por bravatas e mais por persistência. Houve ruído, claro. Houve embates internos e externos. Mas houve também um esforço contínuo para reconstruir previsibilidade. O arcabouço fiscal, tão atacado no nascimento, virou referência de compromisso possível. Não agradou aos radicais de nenhum lado. E talvez por isso mesmo tenha funcionado.

O fortalecimento do real em 2025 é um dado concreto dessa virada de percepção. A moeda brasileira se valorizou frente ao dólar em um ano que começou sob pessimismo quase unânime. Mesmo diante de tensões externas e de um cenário internacional longe de ser generoso, o câmbio encontrou sustentação. Não foi obra do acaso. Foi reflexo de confiança, fluxo de capital e leitura de que o Brasil, pela primeira vez em algum tempo, tinha uma política econômica compreensível.

A Bolsa de Valores seguiu o mesmo roteiro. O Ibovespa bateu recordes históricos ao longo do ano, impulsionado por entrada de investidores estrangeiros e pela reprecificação de ativos que estavam descontados havia anos. O mercado, esse ente que não vota mas opina com dinheiro, passou a enxergar menos risco e mais previsibilidade. Não é entusiasmo ideológico. É cálculo.

Seria intelectualmente desonesto ignorar o papel do ministro petista que comanda a Fazenda nesse processo. A combinação de discurso responsável, sinalização de equilíbrio fiscal e respeito às instituições ajudou a reancorar expectativas. Investidor não se apaixona. Ele confia ou desconfia. Haddad trabalhou para reduzir a desconfiança em um ambiente que parecia condenado à ruptura permanente.

Há algo que diferencia Haddad de muitos de seus antecessores. Ele compreendeu que política econômica não se faz para plateias, mas para efeitos concretos. Em vez de governar para manchetes, optou por governar para indicadores. Isso não rende aplauso imediato, mas constrói reputação. E reputação, na economia, vale mais do que discurso inflamado.

Chamar Haddad de político forte não significa dizer que ele é infalível ou que acertou sempre. Significa reconhecer que ele ocupou o espaço que lhe cabia com maturidade. Em um país acostumado a ministros que falam demais e entregam pouco, Haddad fez o contrário. Falou o necessário e entregou o possível.

Se o Brasil aprendeu algo em 2025, foi que estabilidade não nasce do improviso nem do grito. Nasce da combinação entre técnica, negociação e coragem para contrariar extremos. O real valorizado, a Bolsa em recordes e a economia menos refém de sobressaltos não são troféus pessoais. São sinais de que a política do possível, quando bem conduzida, também pode produzir resultados reais.

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